segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Maio de 1986

O clima é de expectativa para a Copa do Mundo. Zico está machucado e pode não jogar. De qualquer modo, Telê Santana garantiu a convocação. Quer contar ao menos com a possibilidade de tê-lo na equipe. Se, no México, ele apresentar condições de jogo, certamente será escalado. Meu amigo Tulio está bastante animado. Só pensa em futebol. Eu, de outro, tenho minha cabeça voltada para outras situações. Sexo, por exemplo. Penso muito em mulheres. Em como conquistá-las, trazê-las para os meus braços. Adoro fazer isso aos finais de semana. Frequento boates, danceterias e praças, sempre sozinho, porque sei que a qualquer momento pode pintar uma conquista.
Noite dessas corri o maior risco. Fui ao Parque Piauí e conheci uma morena na praça central do bairro. Ela me deu bola e começamos a caminhar lado a lado. Ofereci-lhe carona em minha bicicleta. Pra onde mesmo?, ela perguntou. Pra onde você quiser, eu disse, audacioso, como sempre. A garota, muito bonita, fez que sim e montou na garupa. Descemos pela avenida Henry Wall e seguimos em direção a um pequeno motel que ficava no bairro Tabuleta, a alguns quilômetros dali.
Antes que chegássemos ao balão, no entanto, um sujeito nos atalhou. Vinha numa moto, parecia afobado. O que está fazendo na rua a esta hora?, ele a questionou. Ela saltou, eu parei, nesta ordem. Por que está me seguindo? Já disse que não quero mais nada contigo. O sujeito estava muito enfezado. Não quer o quê, sua mudana?!! E deu-lhe a maior tapona na cara. A jovem balançou e caiu. Tentei conter o sujeito, mas ele ainda deu-lhe mais duas pancadas. Ela estava no chão e não podia se defender. Armei-me com um pedaço de pau e o ataquei por trás.
Alguns curiosos se chegaram para ver a cena de luta ao ar livre. Ele ficou grogue mas se defendeu com um chute que me atingiu em cheio na barriga. Caí com uma dor desgraçada. Ele então esqueceu a mulher e avançou sobre mim. Ela se aproveitou da situação e saiu correndo. O que tu tem a ver com isso, seu pivete?! Pivete, eu!? Levantei-me. Foi um confronto dos diabos. Felizmente a briga foi apartada pelos curiosos. Eu estava, é claro, levando a pior.
O cara tinha duas vezes a minha musculatura. Sou um levantador de copos e meus braços servem apenas para abraçar belas garotas. Montei em minha bicicleta e pedalei apressadamente para longe dali. Tive tempo de passar pela garota que andava assustada no lado oposto da avenida. Fiz de conta que não a vi e fui direto para casa.
Outra noite eu peguei uma mulher na avenida principal do Sacy e saímos andando para uma área escura próxima ao Distrito Industrial. Estávamos no maior amasso quando de repente apareceu um sujeito mal encarado. A poucos metros de nós havia um poste com a luz acesa. Puxei a garota para debaixo do poste. Ele nos acompanhou e disse que estava precisando falar com ela.
A sujeita falou que não tinha mais nada para falar com ele. Fiquei puto da vida. Estava pegando só menina comprometida. E o que é pior: com esses caras da pesada. Não disse nada para nenhum dos dois. Fiquei encolhido no meu canto. O cara enfatizou que não queria violência. Queria apenas pegar sua garota e sair dali numa boa. Não estava nem com raiva de mim porque não cheguei, segundo ele, a consumar a posse do corpo de sua amada.
Filho da puta. Tinha razão. O jeito era ir para casa. Mais uma noite sem ninguém. Na solidão do meu quarto, peguei uma revista de mulher e estava pensando em me masturbar quando deparei-me com um aviso. Uma mulher do Rio de Janeiro, casada, estava procurando jovens dispostos a manter relacionamento sem compromisso.
Estava disposta a viajar para qualquer lugar do país a fim de satisfazer seu desejo e também de custear a passagem de quem se dispusesse em atendê-la. Achei melhor combinar para ela vir a Teresina, até porque o marido também vinha junto. Trocamos correspondências e ela perguntou se eu tinha algum amigo que pudesse ir junto no dia do encontro. Falei de Tulio e ela disse que estava tudo bem. Falei com ele e recebi a mesma resposta.
Aguardamos então ansiosamente a chegada do casal, que se hospedou no Luxor Hotel do Piauí, em frente a Praça da Bandeira, no centro da capital. Ela se chamava Malu, ou pelo menos disse que se chamava assim, ele Zecarlos e também não fiz questão de saber se este era o seu nome verdadeiro. Estávamos na sala da suíte, que tinha várias repartições. Estava querendo ir para os “finalmente” quando Zecarlos convidou Tulio para irem até o quarto preparar uma bebida.
Desconfiei daquilo. Será que o cara era boiola? Bem, isso era problema do meu amigo que, não se pode negar, era chegado a um viado. Abracei Malu e ela me abraçou, nos beijamos ardentemente e transamos no sofá da sala. Zecarlos e Tulio voltaram bem a tempo de me pegar em pleno gozo. Ela também estava na maior sensação.
Então se deu a cena dantesca. Zecarlos ficou de cócoras e começou a chupar o pau de Tulio. Chupava fazendo muito barulho, uma sucção ansiosa, sofrida, e Tulio balançando a cintura, para a frente e para trás. De repente meu amigo ejaculou e não se sustentou em pé. Foi uma pequena queda, muito engraçada para todos. A putaria não terminou por ali.
Tomamos uísque com gelo e água de coco e conversamos sobre muitos assuntos. Os principais: sexo e futebol. Naquela tarde, dali a pouco, o Brasil iria estrear na Copa do México. Zico não estava no time principal, que contava com Sócrates e companhia limitada, praticamente a mesma formação da Copa anterior, na Espanha, quando fomos eliminados tragicamente pela Itália de Paolo Rossi.
Passava das duas da tarde quando Zecarlos disse que iria tomar um banho. Tulio o acompanhou. Eu e Malu fomos para a cama trepar novamente. Tínhamos combinado de nos encontrar novamente no dia seguinte, mas não queríamos perder nenhuma oportunidade. Ela me contou que o marido era de uma família muito rica, do Rio, e que não tinha muito tesão por mulher, nem mesmo por ela, por isso aceitava esse tipo de coisa, suruba, no dizer popular.
Estava em cima dela, subindo e descendo, naquele movimento gostoso que antecede o gozo quando senti aquela coisa dura tentando abrir caminho entre minhas nádegas em direção ao meu cu. Que porra é essa?!!, gritei. O marido de Malu estava excitadíssimo. Disse que não havia conseguido nada com o Tulio, queria foder também, e então estava tentando comigo. Que eu não me preocupasse. Dinheiro não era problema.
Peguei o abajur que estava sobre a mesinha ao lado da cama e o despedacei na cabeça daquele filho de uma égua. Está pensando o que, seu escroto, que sou viado?! Pois está muito enganado. Não sou baitola e não quero ninguém me comendo nem por todo o dinheiro do mundo. O corte foi profundo. Muito sangue começou a jorrar de sua testa. Ele ficou indignado. Pegou a extensão e ligou para a recepção. Quero comunicar que meu apartamento foi invadido por dois adolescentes mal encarados que estão ameaçando a mim e a minha esposa. Por favor, chamem a polícia, depressa.
Dei-lhe um murro para compensar a minha ira naquele momento. Peguei minhas roupas, gritei pelo Tulio, ele já estava saindo da banheira, enrolado apenas numa toalha. Falei para ele que a polícia estava a caminho, beijei Malu, voltei-me para Zecarlos e dei-lhe mais um chute entre as pernas, ele caiu gritando. Então partimos com roupas nas mãos, descemos pelas escadas, nos deparamos com outros hóspedes que ficaram boquiabertos, passamos pela portaria, estupor geral e conseguimos sair.
Ao chegarmos na praça da Bandeira, nos refugiamos no Teatro de Arena e então nos vestimos, sempre apressadamente. Eu já havia chamado aquele cretino de filho de uma rapariga centenas de vezes. Mas nada saciava a raiva que eu estava sentindo dele.
O que houve?, perguntou Tulio. Eu contei tudo o que se passou. Meu amigo também ficou puto da vida. Que cara mais escroque, meu, vamos voltar lá e arrebentar geral. De jeito nenhum, eu disse, apontando para a entrada do hotel. Um carro da polícia estava estacionando naquele exato momento. Eram quatro PM’s. Melhor a gente ir para casa. Vamos pegar o ônibus lá na Pedro II, porque o negócio por aqui tá sujo, eu propus e Tulio topou prontamente. No dia seguinte liguei para o hotel e pedi para falar com Malu. Ela atendeu e combinamos de nos encontrar. Zecarlos não a acompanhou.