
Túlio Bragança apresenta o programa de rádio de maior audiência de Cidade Alta. Na emissora Capital FM ele centraliza todas as atenções por conta da coragem em denunciar os poderosos de plantão. Independente do partido ou condição que ocupam, os que incorrem em ilegalidades são sempre relacionados em sua fala que acontece diariamente entre 7h e 9h. Os ouvintes estão acostumados a ir para o trabalho escutando o programa Primeira Edição. Túlio está no ar há pelo menos 15 anos. Tem 20 anos de profissão como jornalista e um apego tremendo ao direito de expressão.
Certa feita entrou em atrito com um dos diretores da emissora porque o dito cujo havia lhe pedido que não noticiasse um fato envolvendo filho de uma autoridade política do município. O jovem se envolvera em acidente de trânsito completamente embriagado e provocara a morte de uma adolescente que andava com ele altas horas da madrugada. No mesmo acidente ficou ferido gravemente um senhor de 40 e poucos anos, casado e pai de vários filhos, sendo que a vítima ficou paraplégica. Era pedreiro e por isso não teve mais condições de trabalhar, sendo sustentado pela caridade alheia e aguardando aposentadoria do INSS.
Túlio não aceitou não divulgar. O diretor o ameaçou de demissão. Ele renunciou ao emprego. Disse que tinha orgulho em ser radialista e que se mirava em grandes exemplos do passado recente do Piauí, que tinham colocado a própria vida em sacrifício em nome da liberdade de expressão. Lembrou ainda que no tempo da ditadura inúmeros profissionais foram perseguidos e torturados para que tivéssemos o direito de colocar abertamente nossos posicionamentos políticos, ideológicos ou religiosos. "A liberdade de expressão é a minha razão de existir", proclamou, em sua reação ao tal diretor.
Claro que o conselho de gestão da rádio não aceitou o pedido de Túlio. Ele foi mantido no programa e o diretor nunca mais o importunou. Algum tempo depois, o sujeito é que foi demitido por envolvimento com corrupção na prefeitura. Fora flagrado em vídeo recebendo propina do prefeito para não divulgar denúncias sobre obra superfaturada na área de saneamento. O radialista divulgou a notícia, o prefeito se enfureceu com a divulgação e então decidiu divulgar o vídeo que ele mesmo gravara para tentar enlamear a honra de Túlio. Somente o diretor participara da transação ilícita, sendo portanto punido com afastamento sumário.
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Em outra oportunidade, o polêmico radialista foi acusado de sensacionalismo por vereadores da situação. Túlio havia denunciado que eles eram serviçais do prefeito e apresentou provas de que os parlamentares vinham recebendo, desde o início do mandato, pagamento extra da prefeitura, um dos quais na forma de combustível para os seus veículos. O prefeito negou a acusação e afirmou que Túlio Bragança era conhecido como sensacionalista convicto, querendo apenas com isso ganhar projeção política para, quem sabe um dia, pleitear mandato eletivo. "Sua afirmação não tem razão de ser. O Poder Legislativo é autônomo. Os vereadores votam de acordo com suas consciências. Agora, existe independência mas também existe harmonia. O prefeito não se nega em dialogar com os nobres integrantes da Câmara Municipal de Cidade Alta", foi o que disse o prefeito em sua resposta gravada à emissora.
No dia seguinte, Túlio Bragança levou ao programa dezenas de cópias de autorizações assinadas pelo prefeito em favor dos vereadores da base aliada, todas para abastecimento dos seus veículos particulares. "O sentimento de impunidade é tão grande que eles sequer se preocupam em esconder o fato... A corrupção é praticada à luz dos olhos de todo o povo altaneiro... Tenho aqui as notas, tenho aqui a assinatura do senhor prefeito e também os nomes dos beneficiários. Ele coloca tudo, no alto o nome do vereador, em seguida informa: 'autorizo abastecimento deste veículo com tantos litros de gasolina ou álcool ou diesel', conforme seja, e prossegue datando e assinando... Ele (o prefeito) sabe que nada lhe acontecerá, por isso age dessa forma, em total desrespeito à lei e à sociedade deste município, que trabalha duro e paga seus impostos..."
Em nenhum momento ele chamou o prefeito de ladrão. Mas alguns vereadores da situação foram à tribuna para acusá-lo de ter feito discurso político e fazer sensacionalismo ao chamar o prefeito de ladrão. Túlio Bragança era assim. Apresentava os fatos para que a população fizesse o seu julgamento.
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O vereador Prudêncio Delgado, líder da oposição, tentou instalar CPI na Câmara Municipal para apurar a denúncia de doação de combustíveis para os parlamentares governistas.
- Somente uma Comissão Parlamentar de Inquérito terá a condição necessária para investigar a fundo este absurdo que é denunciado por cidadão de nossa comunidade. O radialista tem razão em dizer que a prefeitura está tomada por uma gestão que age ao arrepio da lei e que acredita plenamente na impunidade. Temos que virar este jogo rapidamente...
O líder do prefeito, vereador Juca Vaz, também se pronunciou. E procurou ironizar o orador que o antecedeu:
- Vossa Excelência sabe muito bem que isso não existe... Talvez tenha havido no passado, quando o esquema ao qual Vossa Excelência pertencia, governou o município. No atual governo predomina a seriedade, a honradez, o prefeito é um homem justo e sério que apenas trata bem os seus aliados. Mas ele não nos confere nenhum privilégio além do que já temos como direito.
Os ânimos ficaram exaltados quando Vaz completou:
- O que acredito mesmo, nobre colega Prudêncio Delgado, é que Vossa Excelência está se "roendo" porque gostaria de ganhar uma gasolinazinha, né não?!
Foi o suficiente para o plenário da Câmara se transformar em palco de baixaria.
- Vossa Excelência me respeite!
- Vossa Excelência não é digno de respeito.
- Quem não é digno de respeito é Vossa Excelência, que recebe ordem de gasolina do prefeito...
- Vossa Excelência me faz uma acusação séria, espero que tenha como provar...
Alguns mais comedidos tentaram amenizar o espírito beligerante dos contendores. Não foi possível.
Àquela altura, Prudêncio Delgado e todos os demais membros da bancada de oposição já dispunham de cópias das notas assinadas pelo chefe do executivo em favor dos membros de sua numerosa bancada.
Ele arremessou um pacote de autorizações na cara do adversário.
- Vossa Excelência quer provas?! Pois tome!
Juca Vaz estava segurando um copo de água, pois tinha costume de beber enquanto falava, e jogou o objeto contra Prudêncio.
Ato contínuo saltou da tribuna em cima do outro e começaram a trocar murros bem ali, diante de toda a assistência popular das galerias.
O povo urrava de contentamento, haja visto que espetáculo semelhante há muito não era visto.
Depois de muito pelejar, os demais parlamentares conseguiram conter os brigões e retirá-los da arena, levando-os cada um para seu gabinete.
O presidente encerrou a sessão lamentando que um simples radialista com seu desejo insano de aparecer tenha causado tamanha conturbação ao Poder Legislativo do município.
Ele foi amplamente vaiado pela plateia, embora tenha dito que o regimento interno não admite a manifestação das galerias.
O presidente da Câmara é aliado político do prefeito.
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O filho do prefeito chama-se Germano. É um desocupado.
Aos quase 30 anos de idade não conseguiu concluir o curso de engenharia para o qual fora admitido na Universidade Federal há pelo menos 9 anos. Também não arranja emprego porque simplesmente se recusa em acordar antes do meio-dia.
Passa as madrugadas na esbórnia e recentemente se envolveu em acidente de graves repercussões. Menos para ele, que nada sofreu, a não ser o prejuízo do carro, que ficou completamente danificado.
- Mas isso meu pai compensa - proclamava em rodas diversas de bebedeira.
Túlio Bragança ficou indignado com sua insensibilidade perante ao sofrimento que causara e fez editorial em que destacou o perfil de aberração que o filho de Sua Excelência, o prefeito municipal, gosta de exercer.
Germano o esperou na saída da rádio armado com uma pistola 7.65mm e quando Túlio dirigia-se ao estacionamento ele disparou três vezes seguidas. Os tiros foram desferidos em direção ao radialista mas nenhum deles acertou o alvo. Em contrapartida, atingiram a perna de um vendedor ambulante que trabalhava na praça do Centenário.
Túlio teve sorte porque Germano estava embriagado. O valentão foi contido por alguns policiais que passavam pelo local, porém ao invés de ser preso foi levado para casa e de lá despachado para a capital, em carro sob disfarce.
- A prefeitura deslocou uma ambulância para transportar Germano à capital - contaram ao radialista.
No dia seguinte, em seu programa, ele lamentou o incidente e comunicou aos ouvintes que estava encaminhando expediente ao governo do estado, solicitando providências, mas que não iria andar com seguranças. "Minha segurança está em Deus." Dezenas de cidadãos do povo se colocaram à sua disposição para protegê-lo de quaisquer outros atentados dali por diante.
Túlio não teve como recusar.
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Os jornais da capital repercutiram o lamentável episódio:
FILHO DE PREFEITO TENTA MATAR JORNALISTA
Foi em Cidade Alta. Túlio Bragança apresenta programa em rádio local. Germano Matoso está foragido. Polícia é acusada de conivência.
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O radialista Túlio Bragança tem posição clara sobre a corrupção que assola os negócios públicos no país:
- É um câncer que lentamente destroi o tecido social brasileiro e que infelizmente não é combatido como deveria.
Sobre o denuncismo da imprensa e do qual também é acusado:
- Corrupção não se combate com notícia de jornal. Também não se combate esperando que o eleitor vá dar o troco aos ladrões no dia da eleição. Está provado que isso não funciona.
Para ele, só existe um meio de combater a roubalheira:
- Tem que fortalecer as instituições. O estado democrático de direito tem que funcionar. Polícia, Ministério Público e Tribunal de Justiça têm que se juntar para acabar com a impunidade.
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Numa noite, em casa, recebeu ligação do vereador Juca Vaz.
- Pode falar?
- Claro.
- Falo em nome do prefeito. Ele gostaria de ter uma conversa com o nobre radialista.
- Nem tão nobre assim, caro vereador. Mas qual é mesmo o assunto de Sua Excelência para comigo?
- O assunto é privativo. Ele gostaria de tratar pessoalmente.
- Diga ao prefeito que posso recebê-lo amanhã na emissora, a partir das 9h, logo em seguida ao término do Primeira Edição.
O vereador emitiu uma risadinha sarcástica.
- Tem que ser na casa dele.
- Na casa do prefeito?!
- Sim. Claro. Algum problema?
- Todos. Na casa dele não vou. Lamento.
E desligou o telefone.
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De outra vez, foi o presidente da Câmara quem o abordou no meio da rua.
- Podemos falar um minutinho?
- À vontade.
- Por que tem se recusado a um diálogo conosco?
- Não entendo que tipo de diálogo poderíamos ter. O espaço na emissora está aberto a todos vocês no instante em que desejarem.
- Não falo deste tipo de diálogo.
- E o que seria, vereador?
- O local não é apropriado... É assunto particular... Poderíamos conversar em meu gabinete, na Câmara, ou então em minha residência.
- Lamento, presidente, mas não temos nenhum assunto em particular.
Afastou-se caminhando apressado.
O presidente gritou:
- Você vai se arrepender...
Ele respondeu:
- É o que veremos.
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Túlio Bragança compareceu à delegacia para prestar queixa e pedir esclarecimentos ao delegado sobre a fuga de Germano Matoso.
Aproveitou a oportunidade para fazer uma entrevista com a autoridade policial.
O delegado explicou que não tivera conhecimento de fuga nenhuma e que os policiais estavam na captura do elemento.
Disse ainda que não procedia a afirmação de que policiais sob seu comando tinham dado guarida ao atirador e que todos estavam empenhados em resolver o problema com a maior brevidade.
- O senhor não acha estranho que ele tenha sido contido por policiais e que logo depois, mesmo estando armado e alcoolizado, tenha conseguido evadir-se? - questionou o radialista, sempre com o gravador ligado.
O delegado:
- De modo algum. Os policiais o contiveram e estavam se preparando para conduzi-lo à delegacia quando foram surpreendidos por verdadeira multidão que clamava pela libertação do rapaz. Eles se descuidaram apenas um minuto para tentar conter a turba enfurecida e quando deram por si o indivíduo havia escapado. Mas a sociedade pode ficar tranquila que estamos diligenciando e em pouco teremos o acusado em detenção para que responda pelo seu ato.
- Delegado, me desculpe, mas de que multidão o senhor está falando? Consta que não havia multidão alguma em defesa do acusado. Pelo contrário. Houve muita gente que protestava contra ele, acusando-o de baderneiro e assassino...
- Isso é o senhor quem está dizendo... Tenho aqui depoimentos de policiais honrados, trabalhadores, que diariamente saem às ruas arriscando a própria vida para garantir que a população de Cidade Alta tenha segurança.
- Outro fato que também não está sendo compreendido pela sociedade altaneira é que ele tendo contribuído para a morte de uma pessoa e deixado inválida outra continue dirigindo tranquilamente pelas ruas da cidade, na grande maioria das vezes totalmente embriagado. O senhor tem conhecimento deste fato?
- Não, não tenho, estou sabendo agora e garanto que vamos apurar.
A entrevista foi levada ao ar e logo em seguida Túlio comentou:
- O delegado, com suas palavras, demonstra seu alinhamento com o esquema do prefeito. Demonstra que sua polícia não está para garantir a segurança da sociedade coisa nenhuma. O delegado não prende Germano porque não quer. E não importa para ele, delegado, quantas vítimas este indivíduo venha a causar, quanto sofrimento ele venha a provocar ainda mais em nossa cidade.
Ouvindo o programa, o delegado ficou furioso e esmurrou a própria mesa. Acariciou a pistola e pensou que mais dia menos dia o tal radialista teria o destino merecido.
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Azenário Matoso, o prefeito, encontra-se com o vereador Prudêncio Delgado. Os dois se cumprimentam de má vontade e Matoso interpela seu adversário:
- Não sou contra a oposição cumprir o seu papel. Sou contra um vereador como senhor, que é experiente e tem compromisso com a cidade, se deixar levar por um desocupado e arruaceiro como Túlio Bragança. Difícil de entender.
- Não acho que Túlio Bragança seja um arruaceiro. Muito antes pelo contrário. Acho apenas que ele exerce plenamente o seu papel de bem informar à nossa população e logicamente que isso não agrada aos que se utilizam do poder indevidamente. Aos que tentam transformar o poder público em patrimônio privado. E sobretudo aos que mentem para o povo, fazendo promessas de realização e transparência que nunca se cumpriram.
O prefeito se afastou rapidamente porque um pequeno ajuntamento de curiosos estava se formando em torno deles. Dali a pouco seriam inúmeros e o falatório seria geral.
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Prudêncio Delgado o procura em sua residência. Era por volta de 22h. Ficou ligeiramente apreensivo, mas tranquilizou-se ao perceber de quem se tratava.
- Quanta honra! Em que posso servi-lo?
Convidou o vereador a entrar. A esposa Tâmara já estava recolhida.
- Vim manifestar minha preocupação e o meu temor.
- Em relação a quê?!
- Tenho para mim que o nobre radialista está correndo um risco muito grande.
Sorriu. Sempre correra riscos.
- O risco é inerente à minha profissão.
- Nem por isso devemos exacerbar do direito.
- Tenho me mantido reto.
- Sei disso, digo quanto ao direito de correr riscos. Entendo que todos temos a nossa cota. Sou seu amigo, estou sinceramente preocupado.
- Não se preocupe. Tudo está sob controle.
- Tem certeza.
- Claro.
Prudêncio despede-se apreensivo. Em seu íntimo pressentia que algo de ruim estava para ocorrer com Túlio. Bem mais cedo do que imaginava.
***
Dali a alguns dias, Prudêncio enviou-lhe uma mensagem acompanhada de um litro de uísque do bom. O texto dizia:
"Lamento causar-lhe apreensão. Talvez tenha razão e as coisas estejam sob controle. Desejo-lhe muita sorte. Abraços,
P.D."
Mandou devolver o litro de uísque com a seguinte mensagem:
"Não posso aceitar o presente. Espero que entenda. Quanto ao mais, agradeço. Fraternalmente,
T.B."
***
Os altaneiros, como são chamados os moradores de Cidade Alta, são pessoas simples na sua maioria. A economia do município tem base na agricultura, pecuária e prestação de serviços. O comércio é incipiente e portanto insuficiente para atender as demandas do lugar. Tanto que a maioria dos habitantes sempre recorre à capital em busca de produtos de maior qualidade e serviços especializados.
Para a próxima campanha, o prefeito promete a criação de um distrito industrial, a perspectiva de atração de indústrias por meio de incentivos fiscais e consequentemente a geração de empregos em quantidade suficiente para transformar completamente, e para muito melhor, a face sócio-econômica e cultural do município.
Túlio contesta. O radialista explica que se trata apenas de marketing político porque a população, para conseguir os empregos, deve estar preparada. Ele defende a implantação de uma escola técnica municipal em que as pessoas, sobretudo os jovens, possam obter a qualificação necessária para conquistar espaço no mercado de trabalho, seja em Cidade Alta ou em qualquer parte do Brasil.
O prefeito rebate e enfatiza que essa conversa de escola técnica municipal é fiada porque se trata de empreendimento que pode ser feito unicamente pelo governo federal, não tendo a municipalidade condições suficientes para assumir projeto de tamanha envergadura.
***
Estava saindo da rádio, logo depois do programa, quando foi abordado por um conhecido.
- Quero te fazer um alerta.
- Um alerta?!
- Sim. Um alerta.
- Sobre o quê?
- Estava andando no mercado quando me deparei com um sujeito conhecido. Esteve por aqui há muito tempo. Me parece que é foragido da Justiça. Um sujeito perigoso, que tem mortes nas costas.
- Então vamos denunciar no programa.
- Não é disso que estou falando, Túlio.
- E o que é?
- Tu não é imortal. Tem que se precaver. Está falando demais. Vai por mim.
E afastou-se rapidamente.
O radialista ficou olhando o homem de fala tranquila se distanciar.
***
O corpo foi encontrado dali a dois dias.
Tinha dois buracos de bala na cabeça.
Num deles, o projétil saíra por trás arrebentando a caixa craniana.
Os moradores de uma localidade rural distante foram avisados pelo grande número de urubus sobrevoando o cadáver em decomposição.
No descampado, folhas espalhadas com anotações para um programa que nunca realizaria:
“Prefeito contrata pistoleiro para executar radialista”...

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